Principal ou Capital
O principal é o valor real que você está pegando emprestado do banco, sem incluir os juros. À medida que você paga suas prestações mensais, uma parte vai para reduzir este principal (a amortização) e outra parte paga os juros. No início do financiamento, a maior parte da prestação paga juros e pouco amortiza o principal. Com o passar do tempo, essa proporção se inverte.
Juros e Taxa de Juros
Os juros são o custo de pedir dinheiro emprestado, o "aluguel" que você paga por usar o dinheiro do banco. A taxa de juros é o percentual anual cobrado sobre o saldo devedor. No Brasil, as taxas variam muito: financiamentos imobiliários têm as menores (7-12% ao ano), enquanto cheque especial e cartão de crédito têm as mais altas (chegando a 300% ao ano ou mais). Quanto menor a taxa, menos você paga de juros.
CET (Custo Efetivo Total)
O CET é o dado mais importante para comparar financiamentos. Ele expressa em um único percentual anual todos os custos da operação: taxa de juros nominal, IOF, taxas de cadastro e administração, avaliação do imóvel, seguros obrigatórios, registro de contrato no cartório e todas as demais despesas. Por lei, todo banco deve informar o CET antes que você assine. Um financiamento com taxa nominal de 8,5% pode ter CET de 10,2% quando somados todos os custos.
Tabela Price (Sistema Francês de Amortização)
A Tabela Price é o sistema de amortização mais comum em financiamentos imobiliários no Brasil. Neste sistema, você paga a mesma prestação todos os meses durante toda a vida do contrato. No início, a maior parte da prestação paga juros e pouco amortiza o principal. Com o tempo, essa proporção se inverte: mais vai para principal e menos para juros. A vantagem é ter prestações constantes e previsíveis; a desvantagem é pagar mais juros totais comparado ao SAC.
SAC (Sistema de Amortização Constante)
No Sistema SAC, a amortização do principal é fixa (sempre o mesmo valor), enquanto os juros diminuem mês a mês porque incidem sobre um saldo devedor cada vez menor. Resultado: as prestações começam mais altas e vão diminuindo ao longo do tempo. O SAC é obrigatório para financiamentos com recursos do FGTS. A grande vantagem é pagar menos juros totais; a desvantagem é ter prestações mais pesadas no início, quando você provavelmente ganha menos.
Amortização Extraordinária
A amortização extraordinária (ou antecipação) é quando você faz pagamentos adicionais além da prestação mensal obrigatória, para reduzir a dívida mais rapidamente. Você pode amortizar usando recursos do FGTS (a cada 2 anos, com regras específicas) ou recursos próprios (a qualquer momento). Ao amortizar, você escolhe entre reduzir o prazo do financiamento (mantendo a mesma prestação) ou reduzir a prestação (mantendo o mesmo prazo). Alguns bancos cobram uma pequena taxa de administração para amortização.
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
O FGTS pode ser usado para dar entrada em financiamento imobiliário (desde que você não tenha outro imóvel) ou para amortizar parcialmente um financiamento existente (a cada 2 anos, com limite de uso). As regras incluem: ter no mínimo 3 anos de trabalho sob regime CLT, usar para imóvel residencial localizado na mesma cidade onde você trabalha, e outros requisitos definidos pela Caixa Econômica Federal. Usar o FGTS pode reduzir significativamente o valor financiado ou amortizar milhares de reais da dívida.
Taxa Selic
A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central. Ela influencia diretamente todas as demais taxas de juros praticadas no mercado: quando a Selic sobe, as taxas de financiamento e empréstimo também sobem; quando cai, elas também caem (com um pequeno delay). Em 2024, a Selic tem variado entre 10,5% e 13,75% ao ano. Acompanhar a Selic ajuda a prever se é bom momento para contratar financiamento de taxa fixa ou esperar uma queda nos juros.
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
O IOF é um tributo federal cobrado sobre operações de crédito. A alíquota varia conforme o tipo e prazo: para empréstimos pessoais, é de 0,38% ao dia (limitado a 30 dias) mais 3,38% sobre o valor total, totalizando até 6,38% em 12 meses. Para financiamentos imobiliários acima de 1 ano, o IOF é zero. O IOF aumenta significativamente o custo dos empréstimos de curto prazo, por isso é importante considerá-lo ao comparar ofertas. Ele está incluído no CET que o banco deve informar.
Período de Carência
O período de carência é um tempo inicial (geralmente 6 a 12 meses) durante o qual você paga apenas os juros, sem amortizar o principal. É comum em financiamentos de imóveis na planta, onde a construção ainda não terminou. Embora reduza a prestação inicial, a carência aumenta bastante o custo total porque o saldo devedor não diminui e os juros continuam incidindo sobre o valor total. Evite carência sempre que possível.